terça-feira, 11 de setembro de 2012

A Voz – Opinião

Mesmo que pareça que a eleição ainda esteja longe e que os candidatos ainda se movimentem a passos lentos tentando conquistar cada voto, o dia da votação se aproxima sorrateiramente no passar das horas.

Em Estância Velha, tem 78 candidatos buscando uma cadeira no legislativo contando os que buscam a reeleição e três prefeituráveis, sendo um, também, buscando a reeleição.

Ainda que nas três coligações possam haver candidatos bons e a tendência seja uma renovação praticamente completa no legislativo, ainda assim, o despreparo da maioria é algo estarrecedor, onde muitos sequer sabem qual é o real papel de um vereador ou vereadora.

Quem sabe, a legislação eleitoral, tenha sua culpa neste cenário, afinal, pelas regras, os partidos ou coligações tem que completar sua nominata seja do jeito que for e ainda, tem que ter um percentual hoje, de 20% de mulheres.

Os partidos por sua vez também tem sua culpa, porque também não prepararam adequadamente seus candidatos e candidatas para concorrer e isto se estende aos prefeituráveis.

Faça-se justiça no fato de que o PCdoB, que vem com 4 candidatos, fez uma verdadeira sabatina com eles, colocando na mão de cada um, a lei orgânica do município, o programa de governo elaborado pelo partido e o regimento interno da câmara, além de curso de liderança e oratória e mesmo assim, ainda precisam ser mais aperfeiçoados.

O mais surpreendente neste cenário também, é que ao que parece, tanto partidos quanto candidatos, não estejam se dando conta de que cada vez mais o cerco aperta em torno de quem deseja ocupar tanto os cargos no legislativo quanto no executivo.

A palavra de ordem deste terceiro milênio chama-se: gestão pública, e dentro em pouco, face ao cerco dos órgãos competentes para fiscalizar estes poderes, será cada vez mais rigoroso e quem ainda esteja pensando que depois de eleito verá o que vai fazer está com certeza cavando sua própria sepultura no hoje. A prova disto está no desespero tanto dos que concorrem à reeleição pelo legislativo quando o que concorre pelo executivo.

Ainda que possa parecer que os estancienses sejam alienados ou desconectados da política local, também é um grande engano.

Obviamente que tem os alienados políticos e isto não é demérito somente desta cidade, mas, pelo poder aquisitivo da maioria, é possível considerar que sejam pessoas que mesmo não mostrando, tem sim suas opiniões e muito mais, pelo avanço da mídia em denúncias e as próprias redes sociais, tem dimensionado este conhecimento.

A própria densidade populacional onde tem havido a imigração constante, provoca este questionamento e fomenta a discussão sobre o que e quem será o melhor para gerenciar os recursos dos contribuintes.

Outras três palavras de ordem, chamam-se: técnicos, conselho gestor e projetos. Os técnicos diz respeito a quem ocupará as secretarias, se de fato terá competência para estar à frente do cargo.

Já o conselho gestor, é o chamamento e envolvimento direto na administração, formado por membros da sociedade e entidades.

Projetos, na era Lula têm sido a tônica para viabilizar recursos para o município e também ficou claro que nesta administração, a ausência desta equipe ou a incompetência de quem deveria desempenhar tal papel deixou de buscar e o que veio como recurso, foi perdido pela falta de projetos.

Com cerca de 30 mil eleitores, as associações e entidades, já deveriam estar se preparando e fazendo agendamento com os candidatos para inquerir sobre suas propostas.

De igual forma, os eleitores, devem triar muito bem quem colocarão no legislativo, até porque, dentro da forma de propaganda eleitoral, é dado foco no prefeito, governador e presidente, sendo que, o maior calcanhar de Aquiles de qualquer um deles, está nas casas legislativas e isto inclui o senado.

Portanto, não adianta dar um voto para um amigo (a), parente, vizinho (a), etc dizendo que vai dar o voto para dar uma força, sem nem mesmo este ou esta se considera em condições de ocupar um cargo no legislativo.

Os eleitores também devem ter cuidado com os cabos eleitorais e com os que estão no poder, que são os chamados cargos em comissão. É evidente que eles têm seus interesses pessoais em continuar no poder ou ocupar o poder.

Neste caso, cabe ao eleitor, questionar sobre o que seu candidato que busca a reeleição fez de fato pelo município, seja no legislativo ou no executivo e ao que quer entrar, o que tem de proposta concreta para desenvolver e colocar em prática.

A falta no rigor destes critérios principalmente por parte do eleitorado tem dado mostras no país deste descaso e, por conseguinte, as tão sonhadas e desejadas políticas públicas não acontecem e também por fim, só nestes mandatos, por ações do Ministério Público, mais de 130 prefeitos foram caçados no país. Igualmente, seja pelas casas legisladoras, OAB e MP também tem derrubado muitos pela falta de decoro, corrupção ativa e outros atos ilícitos.

A participação da sociedade antes de homologar nas urnas os futuros representantes é de fundamental importância para que a decepção não venha depois e, ficar sussurrando pelos cantos esperando um novo pleito, não mudará em nada. Antes pelo contrário, os que vierem depois, terão uma enorme tarefa para pelo menos nos primeiros dois anos de mandato, colocar a casa em dia. É por isto também, que muita vez, o trabalho na esfera executiva principalmente, não é vista.

É certo que em Estância Velha os prefeituráveis Plínio ou Pedrinho se ganhar a eleição, herdarão uma situação praticamente falimentar em todas as áreas da administração.

É possível, no entanto, que este impacto possa ser minimizado, posto que, a atual administração, negociou a carteira da folha de pagamento do funcionalismo com a Caixa Econômica Federal. Ou seja: a atual administração como não tem dinheiro para nada, vendeu esta carteira para a instituição financeira por um valor em torno de R$ 2 milhões para depositar o dinheiro desviado do FAP - Fundo de Pensão e Aposentadoria, ainda que descontado do funcionalismo na folha.

Com cerca de 800 funcionários, mais os inativos, a Caixa está em verdade, está apostando no mercado futuro, onde a partir da transferência destas contas, a instituição almeja recuperar o valor investido hoje em: IOF, cartões de crédito, empréstimos pessoais e outras taxas de serviços.

Há que se saber ainda, se o valor negociado é nominal ou com juros embutidos, afinal, este recurso poderá sair do FGTS, PIS ou mesmo de investidores e neste caso, entra o famoso spread que é a compensação para pagar os juros e correção monetária aos investimentos aplicados na instituição.

Em verdade, dando tudo certo, quem pagará a conta do rombo deixado hoje pela atual administração, será o próprio servidor público e o prefeito, teoricamente, se livra da lei de responsabilidade fiscal.

Se houver alguma cláusula de reserva, onde, caso o próprio funcionalismo não cubra o valor em médio e longo prazo, o saldo, será de responsabilidade do executivo. Sendo assim, a conta poderá recair sobre o contribuinte, seja no aumento de taxas e impostos municipais, seja na diminuição ou suspensão de serviços públicos, para poder honrar com o Agente Financeiro, que jamais prega prego sem estopa.

Portanto, os eleitores antes de comprometerem seu voto, devem saber mais sobre o conhecimento de cada candidato, no mínimo básico para representá-los.

Até para não ser surpreendido amanhã com as famosas viagens a cursos, que até o momento, os que estão no legislativo, parecem não ter aprendido nada, ou não fizeram o curso até o fim ou não foram às aulas. E mesmo quem não se valeu deste expediente, pode dizer que sabe muito sobre o ato soberano de legislar.

Já em relação ao executivo, que não se impressionem com “empresários” ou “administradores” que viveram a sombra de quem de fato administrou, seja uma empresa, seja a coisa pública.

Luigi Matté

Diretor do Jornal A Voz

Nenhum comentário:

Postar um comentário