segunda-feira, 29 de maio de 2017

QUANDO O BRASIL COMEÇA A CHEGAR EM SUA MATURIDADE DEMOCRÁTICA, REACIONÁRIOS CLAMAM PELA VOLTA DO REGIME MILITAR - Por: Luigi Matté

Antes do regime militar, tinha-se uma chamada democracia, governos populistas, assim como uma pujança partidária.

Nas ditas correntes ou vertentes inclinadas para a direita ou esquerda, sempre esteve no meio destes os chamados intelectuais, ou, os formadores de opinião, ou, os revolucionários, ou, os reacionários.

No campo da esquerda, seria uma realidade normal em rezão de alguns dos adjetivos citados, mas, dentro do contexto de direita, essas mesmas figuras se insurgiam mesmo que usufruindo das benesses da "corte".

A predominância da elite, ainda que em minoria sempre prevaleceu desde os primórdios e como prêmio aos menos abastados e seus escravos de mão de obra, vez ou outra contemplavam a plebe rude com algum benefício como uma forma de mascarar seu total desprezo por estes. E toda a vez que houvesse alguma insurgência que era permita até um certo limite, (esta mesma elite sempre deu jeito de interromper o processo temendo a perda de seus súditos). Tanto é verdade, que o Brasil foi o último país a terminar com a escravidão. E mesmo assim, começou com uma orquestração de José Bonifácio devido a muita influência que tinha com a corte e, somente em 1888 a princesa Isabel que assinou a carta de alforria.

Nos aproximemos no entanto de uma realidade mais recente!

Getúlio Vargas assumiu o poder e começou a fazer uma série de reformas indo ao encontro dos menos favorecidos; foi um estadista!

Com ele vieram as leis trabalhistas e outras tantas conquistas, muitas destas prevalecem até nossos dias.

O ponto alto do fim da era Getúlio, foi o seu "suicídio!"

João Goulart foi o último suspiro da democracia no Brasil, assumindo então, na base do golpe; os militares.

É preciso destacar que tal regime se instaurou na América Latina quase que de forma simultânea orquestrado pelos Estados Unidos Da América, (capitalista), que temiam um avanço da antiga União Soviética e seu,(comunismo).

A propaganda massiva contra o regime comunista, alvoroçou a elite capitalista e com isto, apoiaram o golpe militar.

Muitos daqueles que levantavam suas vozes de libertação, tanto da chamada direita quanto da esquerda, foram obrigados a sair do país em exílio.

O regime militar manteve um processo "democrático" para eleições proporcionais, sendo os partidos reduzidos a dois; Arena - Aliança Renovadora Nacional, (elite) e MDB - Movimento Democrático Brasileiro, (povo), que em tese, reivindicava os direitos da massa trabalhadora brasileira.

Com anúncio do término do regime, a Arena virou PDS e o MDB virou PMDB e como foi dito, em ambos os lados haviam os proclamadores de mais liberdade para o povo, ao que se chama de democracia.

O cenário político parecia no entanto não estar preparado para tal processo e mesmo assim, em 1988, foi promulgada a nova Carta Magna do País e neste ínterim, começaram a se disseminar  ramificações partidárias tanto na direita quanto na esquerda.

O PDS - Partido Democrático Socialista, passou a se chamar PPB - Partido Progressista Brasileiro e o PMDB - Partido Do Movimento Democrático Brasileiro, que também começou à partir daí, a se ramificar.

Neste contexto, o PCdoB volta a cena e Brizola, aterrissa no país querendo reaver a sigla PTB - Partido Trabalhista Brasileiro, mas foi impedido por Ivete Vargas, que, ao que contam, teve um caso com um militar do regime.

Brizola então, cria PDT - Partido Democrático trabalhista em 1979 e paralelamente, nasce também, em 1980, o PT - Partido Dos Trabalhadores, (um partido heterogêneo de oposição ao regime militar, formado por sindicalistas, artistas, intelectuais e pela Teologia Da Libertação, da igreja católica).

Em 1985, o PDS se ramifica e surge o PFL - Partido Da Frente Liberal, hoje, DEM e o PSDB - Partido Da Social Democracia Brasileira, surge em 1988.

O processo de ramificação não pára por aí e outras siglas foram surgindo em dissidência as suas origens, mas, mantendo em tese, sua doutrina dita ideológica e assim vem acontecendo até então.

O processo no entanto foi se deteriorando e interesses paralelos que não condizentes com os interesses da população foram se instaurando e desta forma, chegamos ao caos hoje instaurado.

Deixemos detalhes a parte, a verdade inconteste, é que nossa democracia é jovem e como jovem, comete seus devaneios, desatinos e muita bobagem. Mas, como jovem, está chegando a sua faze adulta e na hora de traçar novos rumos e é o que está acontecendo ainda que de forma desordenada, uma vez que os interesses paralelos ainda tem destaque.

É verdade também, que as muitas vertentes dos dois lados pregam em síntese os mesmos propósitos para o pais e como jovens, andaram juntos e fizeram muitas coisas juntos, até que em certo momento se desentenderam e tomaram rumos diferentes, mas presos aos seus ideais que outrora os uniram.

A juventude é volúpia, desvairada, impetuosa e por aí vai. Mas chega o momento da reflexão e muitos destes predicados, migram para a maturidade e é o processo pelo qual o Brasil está passando.

Neste contexto, surge de forma remanescente a ideia de que chegamos ao limite da libertinagem e, ambos os lados, orquestrado pelos desinformados ou reacionários mesmo, começam a pregar a volta do militarismo como solução para o todo desgaste político que avassala o país.

Tais pensamentos e manifestações são medíocres e de pessoas que ignoram o que foi o regime. Ignoram também, que o regime "era bom", porque ninguém podia abrir a boca. Ignoram ainda, que se propagou uma orientação de um mundo Neo Liberal e que muitas fronteiras foram abertas e com isto, a pluralidade de pensamentos e conceitos de mundo se disseminaram a velocidade da luz, muito mais pelo advento da internet.

O Brasil está se aprontando para uma nova era, uma nova página a ser escrita em sua história e não é, sob nenhuma alegação, o momento de retrocesso, com uma mentalidade retrógrada.

A cláusula de barreira, é a sinalização de que há mudanças por vir, e com isto, as muitas correntes/vertentes, haverão de se aglutinar novamente o que será bom para o povo, em especial, os que não tem acesso ao observatório ou participação política, ficando assim, a mercê dos falatórios e manobras daqueles que não tem interesse no Brasil, a não ser em si mesmos.

Que venha a maturidade democrática brasileira e com isto, usufruir com mais clareza e sabedoria do verdadeiro significado da palavra; DEMOCRACIA!

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