sexta-feira, 18 de junho de 2010

ESPELHO... ESPELHO MEU!!!

Era uma vez... Um “rei” conversava com seu espelho. Dado a sua conduta, recebeu o apelido de Turro Ermitão. Como não conversava e não escutava ninguém e infringia com constância as leis, restava-lhe seu espelho mágico. Isto porque, o mesmo não podia se mover, pois se assim pudesse, faria como outros tantos que deram no pé. Uns, foram decapitados; merecendo ou não, perderam suas cabeças. Ainda assim, outros vieram pegar uma boquinha, ganhar uma graninha na corte e testar a guilhotina do rei. Fazia-se de humilde, vítima e ingênuo. Nunca sabia nada, não se comprometia com nada, a não ser com seus pares... e olhe lá. Mas deixava o povo na mão e solidão. Exilando-se em fuga dos olhos dos súditos (o povo) e até mesmo de sua corte, restou-lhe o espelho, também cansado de adular e responder só o que ele queria ouvir. Porém, num dia qualquer, o espelho, ainda que com medo de ser quebrado; soltou o verbo:
- Espelho... Espelho meu! Existe alguém mais Turro Ermitão do que eu?
- Meu rei ainda pergunta? - Jamais na história deste reino houve alguém tão Turro Ermitão quanto vossa majestade. - Estão todos abismados meu rei.
- Abismados com o que? - Só por que digo que vou fazer umas coisinhas e não faço e se faço extrapolo um pouquinho? Ora, isto é muita petulância!
- Pode ser, mas sua majestade prometeu mundos e fundos e até agora quase nada fez.
- Como não fiz? – Hummm! - Tá certo que não é muito, mas veja as obras nas ruas e outras que faço... (o espelho interrompe e completa)
- Com o tesouro de outros reinos meu rei... E isto o senhor não diz!
- Ah, bobagem! Dizer pra que? Quero meu nome na his-tó-ria. - Daqui uns trinta anos, filhos e netos destes que aí estão saberão quem fez melhorias nas ruas e outras pequenas obras e não importa se são pequenas; eu faço.
- Só tolos dirão isto! (pensou o espelho e retrucou)
- Dirão também meu rei, que isto foi muito... (e o espelho foi interrompido pelo rei)
- Isto mesmo... Muiiitooo! (mas o espelho retrucou novamente)
- Eu quis dizer: muito pouco e meu rei será lembrado, além de Turro Ermitão, como um rei que em pouco tempo de reinado conseguiu brigar com todo mundo. – E o povo, que já não agüenta mais, aguarda ansioso a volta do “messias”, pois dizem que com muito menos da fortuna que o senhor tem para reinar... Fez ver-da-dei-ros mi-la-gres! (exclama o espelho em tom de deboche)
- Hahahaha! Sei de quem falas, mas a meu ver, não fez tantos assim. Eu sou quem está fazendo melhor.
- Não é o que o povo diz meu rei!
- Ah, o povo! Sempre insatisfeito, sempre querendo mais e mais.
- É verdade meu rei! Mas estão recebendo muito mais menos, do que mais, mais. (E o espelho continuou soltando o verbo, fazendo caras e bocas) - A saúde está doente, as obras não andam, a educação deixa a desejar, a guarda real está desanimada... Ixi Maria! - Paro ou continuo “majestade”?
- Olha o atrevimento! Eu te quebro todo.
(Num ato de coragem, o espelho respondeu:) - Não me surpreenderia! Afinal, o senhor já quebrou os pratos com legisladores, com entidades e até com doutos em leis. Hihihihihihi!
- Ris do que espelho atrevido?
- É que se sua “majestade” me quebrar, com quem irá conversar sem ser contrariado?... Seu Turro Ermitão!
- Podes me chamar de Turro Ermitão, mas o rei sou eu e não preciso de ninguém para me dizer o que fazer e também não devo dar satisfações do que faço ou não faço. - Meus súditos e a corte, só têm que o-be-de-cer. - Hahahahahahaha.
- Ai, ai! Com tudo o que está acontecendo, ele ainda se acha. (sussurra o espelho)
É! A história ainda não terminou. Turro Ermitão, mesmo caído, não se dá por vencido. Mas, sábios; magos; bruxos e videntes dizem que o fim está escrito, é questão de tempo a revelação.