quinta-feira, 20 de setembro de 2012

SANGUE É VIDA, MAS PODE MATAR

“Nós leigos, pensamos que quando uma pessoa necessita de uma transfusão de sangue, basta chegar ao hospital pedir uma ou mais bolsas como quem pede cerveja ou refrigerantes em um bar e pronto; o problema estará resolvido. Não imaginamos que por trás de um procedimento tão sublime que salva vidas e tão delicado e minucioso é o antes na preparação do sangue que o (a) paciente irá receber a fim de evitar outros problemas, além de lesões aos transfundidos (as) e que pode levar até mesmo a morte.

O Jornal A Voz conversou com Ana Maria Escher, responsável pela agência transfusional do HGV e descobriu que para a realização de uma transfusão de sangue são necessários inúmeros cuidados antes de realizar o procedimento.” Leia as informações básica que ela nos passou:

Antes de darmos as informações que nos foram passadas, é preciso dizer que a ‘Ana do sangue’ como é conhecida, começou a desenvolver este trabalho no HGV no ano de 2004.

O hospital havia inaugurado a agência, mas não tinha funcionário qualificado para atuar. Como ela havia trabalhado no Hospital Ernesto Dornelles em Porto Alegre, trouxe com ela esta experiência e teve de assumir a função e desde então, ela e depois a colega Rosane Ramos, além de terem ajudado a salvar inúmeras vidas, geram através da agência, uma economia mensal na ordem de R$ 25 mil para o cofre público. A agência foi definitivamente oficializada por lei na segunda gestão do ex-prefeito Toco e Ana nomeada efetivamente, chefe deste departamento tão importante em um hospital e que, para quem não sabe; todo o hospital que tem uma emergência deve ter uma agência transfusional.

Somente no mês de outubro, até o dia 24, foram utilizadas 25 bolsas de sangue, onde há períodos em que este número pode aumentar.

O custo médio de uma bolsa de sangue:

Se fosse hoje comprar sangue, por exemplo, do hospital Regina, o valor de apenas uma bolsa, custa entre R$ 850 e R$ 1.000. Além deste custo, o hospital tem que ter a disposição um motorista 24 horas para se deslocar e pegar este sangue para trazer ao hospital. Este procedimento se dá quando chega à unidade um paciente em caso de emergência e não há de imediato um sangue compatível com a tipagem sanguina deste.

Sangue, um transplante de órgãos:

Ana contou que as pessoas não sabem que receber uma transfusão de sangue, é o mesmo que ser transplantado, afinal, estão sendo colocadas no corpo do paciente receptor, células de outrem e por isto também os cuidados para o sucesso de uma transfusão são indispensáveis. Qualquer possibilidade de erro no procedimento pode trazer prejuízos ao paciente. Alguns irreparáveis e até mesmo podendo levar a morte.

Eliminar os riscos é palavra de ordem para o sucesso de uma transfusão:

Antes de transfundir, são necessárias uma série de medidas e cuidados para que o (a) paciente logre êxito numa transfusão de sangue. Ana relatou alguns destes.

- Fazer provas de compatibilidade do sangue doador com o do receptor. O mau procedimento nesta etapa pode causar inúmeras sequelas a começar por problemas renais e em casos mais graves, levar a morte;

- O estado clínico, peso, idade e o tipo de doença também fazem parte deste processo antes da transfusão;

- Pacientes com problemas cardíacos, renais e pulmonares também são avaliados com muito cuidado para receber a transfusão, ou seja; numa linguagem simplista: uma gota a mais ou a menos de sangue pode causar mais problemas;

- Os que apresentam quadro de pressão alta, sob nenhuma alegação podem ser submetidos ao procedimento antes de controlar a pressão;

- O controle da temperatura, hipo e hipertermia também devem ser controlados com rigor;

- Cuidar do acesso para evitar contaminação, ou seja; se um (a) paciente já está sendo medicado ou transfundido a veia por onde está sendo realizado o procedimento, também merece cuidados, a fim de que ao colocar uma agulha no local esteja ou seja limpo para evitar qualquer tipo de contaminação.

Estes são apenas alguns dos cuidados que devem ser levados em consideração pela equipe medica e de enfermagem antes de solicitar uma transfusão de sangue. Mas, ainda assim, as agentes transfusionais checam se tais cuidados foram devidamente observados e controlados para realizar o procedimento.

Cuidados rigorosos com o banco de sangue:

Ana ainda relatou que o cuidado constante com o banco de sangue é premissa indispensável.

Estar sempre atenta ao controle de estoque tanto de sangue quanto de hemoderivados, (placebo e crio) principalmente para os casos de emergência; manter a temperatura das geladeiras em constante vigilância e no grau ideal; garantir estoque de reagentes usados para testes de cruzamento de sangue e observar com rigor extremo o antes, o durante e o depois no procedimento para evitar qualquer dano ao paciente.

Doação de sangue, um chamamento quase que implorado:

Os pacientes que são transfundidos assumem o compromisso verbal de que irão ‘aliciar’ pelo menos três pessoas para fazer doação e manter os estoques. No entanto, a maioria é ingrata com tal solicitação e, além de não oferecerem os nomes, desligam o fone quando são chamados. De igual forma, muitos dos que se cadastram para doar, fazem o mesmo.

O município oferece translado ida e volta ao hemocentro para a realização deste gesto de solidariedade pela vida, mas nem sempre logram êxito devido principalmente a falta de conscientização da população.

Ana relatou o caso de uma paciente que já teve ter usado pelo menos 50 bolsas de sangue e além de não partilhar com outros a necessidade de mais doadores se irrita se é ‘cobrada’ a colaborar indicando pessoas para doar sangue.

A Voz comenta:

Em verdade, a maioria não se dá conta que mais hoje, mais amanhã, poderão precisar de sangue ou um ente muito querido seu. É por isto que em muitos hospitais de Porto Alegre, por exemplo, quando alguém precisa de transfusão, a família é acionada imediatamente para caçar doadores e levar para coleta, em não sendo emergência, o (a) paciente só recebe a transfusão depois da garantia do sangue doado.

Há muitos casos também, em que a pessoa já não repõe mais o sangue de forma natural pelo próprio organismo, sendo necessária esta reposição somente através de transfusão e ainda têm gente, que acha que sangue brota da terra, cai como chuva e por aí vai.

Quando estão bem, tão nem aí, quando estão para fenecer, é um pelo amor de Deus, me salva!

Além destes inconvenientes por que passam as agentes, tem ainda de conviver com as incertezas desta administração. Dilkin chegou a dizer que este procedimento é uma obrigação das profissionais, se referindo ao fato de que não precisam ser pagas por isto.

Todo o mês, mesmo Toco tendo regulamentado o todo, elas tem problemas em seus contra cheque. É hora a menos e principalmente a constante ameaça de que as horas pagas para esta função de suma importância em um hospital serão cortadas. Quer dizer, nem nisto Dilkin se presta a ser digno, ignora a população que precisa de uma transfusão e principalmente, não trata com respeito estas profissionais que tem que estar em constante estado de alerta, 24 horas, 7 dias da semana. É como se estivessem sempre prontas para a guerra; guerra contra a morte.

A qualquer hora do dia ou da noite elas podem ser chamadas e não interessa se estão saboreando um churrasco, assistindo a um filme comendo guloseimas ou mesmo se são acordadas no meio da noite; elas têm que estar prontas para atender ao chamado.

O Jornal A Voz fez esta matéria no intuito de mostrar o quanto é minucioso o trabalho e o ato de fazer uma transfusão de sangue. Também teve o intuito de alertar a população e fazer um chamamento para que se conscientizem da importância de doar sangue. Mas, este jornal, não pode deixar passar batido, o que acontece quando alguém sem qualquer qualificação para gerir uma empresa, pensa que pode gerir a coisa pública tratando o funcionalismo como se fossem peões de fabrica, que em verdade, não fossem os peões, os ‘poderosos’, não andariam em carrões, fariam suas farras e assim por diante.

“Este conteúdo final, A Voz comenta, é de total responsabilidade do editor do Jornal A Voz – Luigi Matté”.