segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Conheça melhor a trajetória de Robert Plant


        Primeiro show em SP da atual turnê do cantor, nesta segunda, terá transmissão ao vivo do Terra


Quase 45 anos se passaram desde que o então jovem recém-saído da adolescência Robert Plant, na ocasião com 20 anos, surgiu ao mundo como a voz do Led Zeppelin - um dos principais grupos da história do rock, responsável pela vendagem de mais de 200 milhões de discos. De lá para cá, muita coisa mudou. A começar pela banda que ele ajudou a popularizar, cuja carreira foi encerrada repentinamente em 1980, após a trágica morte do baterista John Bonhan. O estilo de música, a vida pessoal, também. A cabeleira loira, repleta de cachos, no entanto, continua a mesma, assim como a admiração do público por seu talento, que só fez crescer ao longo de suas mais de quatro décadas como artista. O Terra transmite nesta segunda-feira (22) a apresentação do vocalista ao vivo, direto do Espaço das Américas, em São Paulo, parte da primeira passagem do músico pelo Brasil em 16 anos.

O mundo passava por uma fase conturbada no distante ano de 1968. Protestos estudantis proliferavam em grandes cidades europeias e do continente americano, Martin Luther King, símbolo da luta contra o racismo nos EUA, era assassinado, a Guerra do Vietnã explodia; no Brasil, era instituído o AI-5, dando início à fase mais aguda da ditadura no País. Ao mesmo tempo, quatro jovens britânicos começavam a gravar o disco que marcaria a história do rock pesado - e influenciaria todos os subestilos que viriam a surgir depois - para sempre.

Led Zeppelin chegou às lojas do Reino Unido no dia 12 de janeiro de 1969. Na época, ainda não existiam para o grande público nomes como Black Sabbath ou Deep Purple. O máximo de peso que o rock conseguia atingir até então era com The Who, Beatles ou Rolling Stones. Mas, gravado em apenas 36 horas, segundo declaração feita anos depois pelo guitarrista Jimmy Page, o disco trouxe um novo fôlego para o estilo. E melhor: revelou quatro músicos que revolucionariam a forma de pensar nele.

Naturalmente, Plant ganhou um destaque especial entre seus colegas. Não só por seu vocal poderoso, capaz de atingir tons altíssimos, por seu carisma enigmático ou por sua cabeleira dourada inconfundível. Mas, pela junção de todos esses fatores, o cantor conseguiu deixar em seu legado a responsabilidade de influenciar uma grande leva de cantores de rock e heavy metal que viria a surgir. Freddie Mercury, Rob Halford e Axl Rose são apenas alguns exemplos. Sua importância na história do estilo é tamanha que foi eleito pelos principais veículos especializados em música como um dos maiores vocalistas da história do rock. A Rolling Stone, principal revista do estilo nos EUA, o colocou no topo de sua lista.

Fisgado pelo blues

Nascido em West Bromwich, no dia 20 de Agosto de 1948, Plant demonstrou desde cedo paixão pela música. Quando criança, fazia graça imitando Elvis Presley, seu grande ídolo. Os anos se passaram, o sentimento só cresceu. Adolescente, largou os estudos e saiu de casa para se dedicar inteiramente ao cada vez mais crescente amor pelo blues. Antes de conhecer Jimmy Page, em 1968, aquele que viria a ser um dos maiores cantores do rock de todos os tempos passou por diversas bandas, incluindo a Band of Joy, na qual tocou com John Bonhan, que logo traria junto dele para o Zeppelin.

Além da voz, Pant colaborou na banda com letras que ajudariam a moldar a aura presente no Zeppelin. Filosofia, misticismo, espiritualismo, mitologia e fantasia estiveram desde sempre presentes em suas temáticas. Foram oito os discos de estúdio gravados pelo Zeppelin ao longo de uma década, sempre com Plant nos vocais. No período, o cantor ainda foi responsável, ao lado de seus colegas, pela composição de clássicos eternos da música pesada, como Rock´n´Roll, Black Dog e Stairway to Heaven.

Trágico

Apesar de ter se tornado símbolo de todo um estilo, vendendo milhões de discos e, consequentemente, recheando a conta bancária com milhões de dólares, Plant desde cedo percebeu que, no lado emocional, sua vida nunca seriar fácil. O cantor casou jovem, aos 20 anos, com Maureen Wilson, com quem teve três filhos. Em 1977, no entanto, seu primogênito, Karac Pendragon, contraiu um vírus no estômago e morreu, aos 5 anos de idade. O fato levou o músico, que estava em turnê na ocasião com o quarteto, a cancelar uma série de compromissos agendados nos EUA.

Três anos depois, um novo baque - desta vez, responsável por mudar sua trajetória profissional para sempre. Após um dia de bebedeira - no qual, segundo a autópsia, teria consumido 40 doses de vodka -, John Bonhan, baterista da banda e colega de palcos de Plant desde os primórdios do sucesso, morreu asfixiado, após engasgar com o próprio vômito, aos 32 anos. A tragédia levou o Zeppelin a encerrar as atividades. "Queremos que saibam que a perda de nosso querido amigo e o grande respeito que temos por sua família, aliados ao sentimento de harmonia indivisível sentido por nós e por nosso empresário, nos levaram a decidir que não podemos continuar sendo o que éramos", anunciou em comunicado à imprensa a banda, pouco mais de dois meses após a morte do músico, em dezembro de 1980.

O casamento precoce do cantor também viria logo a sucumbir pouco depois. Em agosto de 1983, Plant se divorciou após 15 anos de união com Maureen Jones, e acabou se envolvendo com sua própria cunhada, irmã da até então mulher, Shirley Wilson. O relacionamento gerou o quarto filho do cantor, Jesse Lee, nascido em 1991.

Novos rumos

O fim do Zeppelin marcou uma nova fase na carreira de Plant, procurando se desvencilhar do passado e construir um rumo para si. A prova disso é a variedade de ritmos e estilos em que se inspirou em seus nove discos solo de estúdio, quase todos recebidos com grande aceitação pelo público - sendo certificados com Discos de Ouro ou Platina nos EUA e Reino Unido. Se, no início, com Pictures at Eleven e The Principle of Moments, manteve o foco no rock, o cantor logo começou a se inspirar também em outros gêneros, como folk, country music e, principalmente, ao blues, sua mais antiga paixão na música.

Parcerias também foram feitas ao longo dos anos. A mais marcante delas, com Jimmy Page, rendeu três discos de estúdio: The Honeydrippers: Volume One, de 1984, contando ainda com Jeff Beck nas guitarras; No Quarter, de 1994, que teve como parte da turnê passagem pelo extinto festival Hollywood Rock, em São Paulo, no mesmo ano - e também na edição de 1996 do evento -; e Walking into Clarksdale, de 1998.

Mas foi em 2007 que ocorreu a mais inusitada das parcerias, quando se junto à cantora e violinista country Alisson Krauss para lançar o aclamado disco Raising Sand. O trabalho acabou sendo um estrondoso sucesso, atingindo a segunda colocação da U.S. Billboard 200, principal parada de sucessos dos EUA, e rendendo Disco de Platina nos mercados norte-americano e britânico. O trabalho ainda foi agraciado com seis prêmios Grammy, o principal da música mundial, incluindo o de Álbum do Ano de 2009.

A vida continua

Se para Jimmy Page e Jon Paul Jones a possibilidade de uma turnê de reunião do Zeppelin sempre foi exaltada como um grande desejo, Plant nunca escondeu ter uma opinião completamente distinta. Em apenas três ocasiões pontuais desde a dissolução da banda os músicos se juntaram em um mesmo palco com o nome do grupo que tornaram lenda. Em 1985, com Phil Collins e Tony Thompson se revezando na bateria, a banda se apresentou no Live Aid - show beneficente com o objetivo de arrecadar dinheiro para combater a fome na África. Três anos depois, foi a vez de Jason Bonhan, filho de John Bonhan, assumir as baquetas ao lado do trio, no aniversário de 40 anos da gravadora Atlantic Records. "Tocar essas canções é como fazer amor com a ex-mulher sem amá-la", disse Plant, ainda na década de 1980, a respeito das apresentações, nas quais apenas algumas canções foram executadas.

Mas foi só em 2007, quase 20 anos depois de terem assumido o nome Zeppelin em um palco pela última vez, que pareceu surgir a grande chance de um retorno. Com um repertório de duas horas de duração, Plant, Page, Jones e, mais uma vez, Bonhan se apresentaram no Tributo a Ahmet Ertegun, fundador da Atlantic Records, em Londres, Inglaterra. O show gerou rumores fortes de que finalmente ocorreria uma verdadeira turnê do quarteto, algo abertamente desejado pelos instrumentistas na apresentação. Plant chegou a receber uma proposta multimilionária para o giro: US$ 200 milhões.

Logo, no entanto, quebrando todas as expectativas, ele anunciaria sua resposta, em nota em seu site oficial, em 2008: "não farei qualquer turnê, nem com o Led Zeppelin, nem com qualquer outra pessoa, pelos próximos dois anos. Qualquer um que comprar ingressos para um show do Led Zeppelin estará comprando ingressos falsos".

Agora, cinco anos após as declarações, Plant retorna ao Brasil para sua maior turnê pelo País, com sete datas, apresentando seu último disco de estúdio, Band of Joy, de 2010: Rio de Janeiro (18), Belo Horizonte (20), São Paulo (22 e 23), Brasília (25), Curitiba (27) e Porto Alegre (29). O Zeppelin não estará no palco, mas seu lendário e performático vocalista, aos 64 anos, promete canções de todas as fases de sua carreira. E, sim, isso inclui clássicos da banda que, um dia, tornou uma das maiores de todos os tempos.

Terra Live Music

Robert Plant será a quinta atração da plataforma interativa Live Music Rocks, realizada em parceria entre Terra e XYZ Live. Depois, em 17 de dezembro, será a vez dos astros da banda Kiss, direto da Arena Anhembi, em São Paulo. O projeto anual - que já recebeu em 2012 apresentações de Morrissey, Noel Gallagher, Maroon 5 e Evanescence -, traz ao Brasil nomes importantes do cenário da música internacional.

Já a plataforma Terra Live Music, que engloba todos os shows transmitidos ao vivo pelo Terra, no último ano trouxe de graça via web apresentações de artistas como Paul McCartney, que atraiu audiência de 1,5 milhões de pessoas em toda a América Latina. Este sucesso de público também aconteceu nas transmissões ao vivo dos shows de U2 e Kasabian, que literalmente encerrou as transmissões de shows ao vivo em 2011, com apresentação, direto de Londres, em 31 de dezembro.

O projeto também inclui a realização de um programa semanal, todas às quintas-feiras a partir das 16h, com apresentação de Lorena Calabria e participação de internautas. Uma banda convidada faz apresentação direto do estúdio do Terra em São Paulo.

Fonte: Terra live music