terça-feira, 30 de outubro de 2012

Robert Plant emociona um Gigantinho lotado

         Ex-Led Zeppelin empolga a plateia com hits e momentos fortes

Plant realizou show com repertório da carreira solo e clássicos do Led Zeppelin   Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS


Uma parte da história do rock passou pelo Gigantinho na noite desta segunda-feira.

Ex-vocalista do Led Zeppelin, Robert Plant apresentou, em Porto Alegre, músicas da carreira solo e clássicos da lendária banda, que encerrou atividades há 32 anos. Em um ginásio lotado, ele encontrou um público ansioso para reverenciar uma das últimas lendas vivas do rock'n'roll dos anos 1970.

Coube a Renato Borghetti o show de abertura. O virtuosismo do músico e da competente banda que o acompanhava conquistou os milhares de espectadores. Borghetti tocou Asa Branca, em homenagem a Luiz Gonzaga (cujo centenário de nascimento é celebrado este ano), e, ao final, Felicidade, de Lupicínio Rodrigues. Não foi uma abertura completamente estranha à atmosfera folk que - já se sabia de antemão - marcaria o show de Plant. E já mostrava a disposição dos fãs em receber os arranjos diferentes que o ídolo propunha para clássicos de sua antiga banda.

Plant apareceu vestindo camiseta, calça jeans e tênis. Com a dignidade de quem chega aos 64 anos com uma longa ficha de serviços prestados ao rock, realizou uma viagem de volta às origens do gênero, com o blues, em combinação com sons da África e do Oriente Médio — caminhos experimentais que ele tem buscado na carreira solo. Fez longas improvisações com world music, músicas marroquinas e indianas. Foi um resumo de quase 50 anos de trajetória.

Com um português hesitante, mas esforçado, cumprimentou o público. Como esperado, cantou o repertório da carreira solo, covers de blues tradicional e — os momentos mais aguardados — hits dos anos dourados do Led Zeppelin.

Começou com Black Dog, em versão diferente da original, o primeiro grande momento de êxtase do público. Depois, vieram Ramble On e Whole Lotta Love (em medley com Who Do You Love, Steal Away e Bury My Body), esta já no segmento final, momento em que o Plant da velha guarda se fez reconhecível, ensaiando notas agudas que lembravam a época de sua plenitude técnica. Mas ninguém é jovem para sempre. A certa altura, convidou o público para um coro de parabéns pelo aniversário de 60 anos de um amigo. O público, claro, respondeu com entusiasmo.

Bis revive os tempos de Led Zeppelin

O bis veio com mais Led Zeppelin. Going to California, próxima da versão do disco, arrancou lágrimas de parte da plateia. Os momentos cadenciados eram iluminados pelos celulares erguidos ao alto, que substituíram definitivamente os isqueiros.

Já o encerramento apoteótico veio com Rock and Roll, em um arranjo surpreendente. Hino de mais de uma geração, mostrou que o rock se perpetua constantemente.

Depois de cerca de 1h30min de show, Robert Plant satisfez o sonho de pais e filhos. Afinal, o rock se tornou programa de família.

Fonte: ZH - Segundo Caderno