quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ex-secretário Tarcísio Staudt, afirma que administração Dilkin/Ivete deve ser investigada


A Administração Municipal de Estância Velha tem por regra burlar os preceitos legais que norteiam a boa prática da gestão pública.   Esta poderia ser a síntese das afirmações feitas pelo ex-secretário de Fazenda e Administração de Estância Velha, Tarcísio Staudt no final desta tarde (25), aos órgãos de imprensa da região. A entrevista coletiva foi solicitada pelo próprio Tarcísio buscando dar sua versão a cerca da sua exoneração da prefeitura no último dia 14, pela prefeita-em-exercício Ivete Grade (PMDB).

O ex-secretário iniciou a entrevista dizendo que estava sendo ameaçado.  Embora não revelasse por quem, afirmou estar recebendo telefonemas sugerindo que ele “ficasse na dele”.  Disse que recebera um destes telefonemas ainda pouco antes, naquela tarde.  É de ressaltar que no local onde concedeu a entrevista haviam dois carros de segurança privada e, antes, uma viatura da Brigada Militar, estivera no local.

Mas o que disse Tarcisio Staudt?

Tarcisio disse que foi convidado em agosto de 2012, para assumir a Secretaria da Fazenda do municipio (ele já havia trabalhado nos municípios de Santa Maria do Herval e Dois Irmãos).  “Quando fui me entrevistar com o prefeito fiz apenas uma pergunta simples e direta: você é honesto?”, relata Tarcisio. Segundo ele, o prefeito afirmou categoricamente que esta virtude era um fundamento da sua índole.  Tarcisio deu a entender que esta era uma questão “sine qua non” para que aceitasse o cargo de secretário do município.

Finanças em dia - Conforme o ex-secretário, em agosto de 2012, a prefeitura  tinha um déficit de R$ 9,7 milhões.  Uma situação complicada considerando que se estava já em pleno período eleitoral, disso redundava atraso no pagamento de credores e, também, no atraso dos repasses para o Fundo de Aposentadoria dos Servidores (FAPS), gerando um débito crescente. “Conseguimos, num diálogo com o Legislativo e Conselho de Servidores do FAPS, negociar o parcelamento da divida existente e passei a conduzir as despesas conforme as receitas”, explica. Por conta disso a prefeitura encerrou o exercício de 2012 com as contas equilibradas, conforme o ex-secretário.  Ele diz que esta situação pode ser comprovada no fato de que, em março, não haviam credores com pendências junto a prefeitura e a folha de pagamento que estava sendo paga com atraso, voltou a ser paga em dia.

Staudt: tratou possíveis irregularidades, na administração, como "lacunas" 

















"Lacunas" - Em seguida, Tarcísio Staudt, fez uma lista do que qualificou como “lacunas” na administração Waldir Dilkin/Ivete Grade.  “São lacunas que preocupam e precisam ser verificadas”, assinala. O ex-secretário disse que estas “lacunas” estão no Programa Social de Habitação (PSH), nos excessos financeiros cometidos nas festas realizadas pela Administração Municipal e na prática de fracionamento das compras nos processos licitatórios.  “Há ainda gastos feitos acima dos limites permitidos pela lei, algo muito grave na gestão pública, e que precisam ser verificados”, denuncia.  Segundo ele, na condição de secretário da Fazenda tentou alertar o prefeito, mas não foi ouvido.

Eu me demito - Neste contexto de desrespeito aos preceitos legais da “boa gestão financeira” da prefeitura,  Tarcísio sugeriu que "há ainda que se investigar todas as secretarias e o gabinete do prefeito”.   O ex-secretário lembra que “a lei e a norma não permitem certas ações, sem empenho prévio”, uma prática comum na administração sobre a qual ele sempre teria alertado o prefeito e a vice, sem ser ouvido.  Diante inalteração da situação, Tarcísio teria comunicado a prefeita-em-exercício que não mais permaneceria no cargo.  “O estopim foi quando trouxeram a minha mesa para assinar uma solicitação de serviço que já havia sido realizada e para a qual não havia  dotação suficiente”, disse. No dia seguinte ao ter se recusado a assinar o documento, a prefeitura-em-exercício Ivete Grade, convocou uma coletiva de imprensa para dizer que estava demitindo o secretário e mais quatro outros CCs.  “Ela não me demitiu ou exonerou, eu já estava demissionário não trabalho do jeito que esta gente trabalha”, assegura o ex-secretário.  Segundo ele a decisão por esta atitude se deu por que percebeu que a administração continuaria cometendo os mesmos erros na gestão dos recursos públicos.

O ex-secretário disse já estava demissionário ao ser exonerado por Ivete

















"Falhas grafológicas" (?) - Outro fato que teria provocado desconforto do prefeito em relação ao ex-secretário estaria relacionado ao questionamento a cerca de ações do Executivo “privilegiando alguns”.  O ex-secretário  não desceu a detalhes sobre estes “privilégios”.    Ainda no rol de sua análise a cerca de procedimentos tomados pelo prefeito, Tarcísio fez menção a existência de “falhas grafológicas” em documentos assinados pelo chefe do Executivo estanciense. A observação indica que poderiam haver documentos onde a assinatura do prefeito destoavam de outras assinaturas do próprio.

Investigação - Embora afirmasse que não estava acusando pessoas da administração, Tarcísio Staudt disse que tudo o que afirma esta documentado e que pode colocar a disposição de qualquer autoridade para investigação "da Câmara de Vereadores, do TCE ou do Ministério Público".  Por fim, questionado sobre os comentários de que a sua indicação para secretário e dos demais CCs demitidos, teria relação com a empresa de entretenimento Palco Sete, assegurou desconhece. “A minha única relação com a Palco 7, foi participar do evento que ali se realizou no inicio do ano representando o prefeito e, aliás, posso afirmar que nenhum recursos da prefeitura foi investido no mesmo”, acentua.
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